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Amar o Cinema: Stanley Kubrick

Domingo, 07.02.10

 

Um dia destes, enquanto esperava por um filme que se visse, dei com o Mathew Modine a ser entrevistado no TCM. Estava precisamente na parte da entrevista em que referiu a sua experiência num filme de Stanley Kubrick.

Definiu-o como um génio e  definiu essa experiência como verdadeiramente inesquecível: Na nossa vida o mais importante são as experiências. Não são meses e anos somados... são as experiências significativas.

Para este actor, trabalhar com Stanley Kubrick foi uma dessas experiências.

 

Achei interessantíssimo ouvi-lo dizer que este realizador era, na sua vida privada, completamente diferente da imagem que lhe associamos de excêntrico, obsessivo, quase louco. Classificou-o mesmo como um homem de família: a sua casa tinha uma enorme cozinha, uma espécie de lugar de convívio familiar, onde a mulher pintava (foi o que percebi, que era pintora), onde os filhos faziam os trabalhos de casa e onde recebiam os amigos. Penso que essa imagem de excêntrico lhe permitia proteger a sua vida privada.  Está bem visto.

 

Na verdade, alimentei durante anos aquela imagem do realizador, de excêntrico e solitário, reforçada pelo génio que sempre lhe reconheci, aquele perfeccionismo.

Mas apesar de lhe reconhecer o génio, não revi nenhum dos seus filmes (a não ser duas excepções). São todos de uma intensidade e de uma violência psicológica, cada um no seu tema específico, que não me apeteceu repetir a experiência.

A não ser, como disse, duas excepções: o Laranja Mecânica, que revi com colegas de faculdade pelo tema em questão, e o Barry Lyndon, de todos os Kubrick o meu preferido.

Em Barry Lyndon encontramos uma fidelidade impressionante a uma época, com personagens fascinantes, que se deixam arrastar pelas paixões: o amor e o ódio, a ambição e a vingança. Todo o filme é uma ópera de cor e de sensualidade, e aquela música a envolver tudo...

 

Em todos os seus filmes vemos o seu imenso amor ao cinema, um pouco obsessivo, todo aquele perfeccionismo, sim, talvez mesmo excessivo, podemos mesmo aqui falar de paixão genuína. E também podemos falar de génio. No Cinema Stanley Kubrick foi único.

 

 

Coincidência feliz: Descobri ainda a tempo este post, O que os outros realizadores dizem de Kubrick, n' O Homem que Sabia Demasiado.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 15:33

Amar o Cinema: Martin Scorsese

Segunda-feira, 18.01.10

 

Raramente veremos alguém tão inflamado e transfigurado como Martin Scorsese quando fala de Cinema e dos grandes cineastas do séc. XX. Desta vez foi nos Globos de Ouro 2010 que vi ontem até às tantas.

É realmente enternecedor ver este homem baixinho, de óculos enormes, entusiasmado com o trabalho de restauro dos filmes de Cecil B. DeMille. É esse lado apaixonado pelo Cinema que eu mais aprecio em Scorsese, embora lhe reconheça um enorme talento. Aquele Taxi Driver... o New York, New York... A Cor do Dinheiro... A Última Tentação de Cristo... o comovente Kundun... E, mais recentemente, O Aviador...

Mas no seu trabalho de divulgação do Cinema, do cinema-arte, Scorsese é único! O seu documentário A Personal Journey With Martin Scorsese Through American Movies (1995), por exemplo é, em si mesmo, uma verdadeira obra-prima! Gravei a série, que passou na televisão, quando a RTP2 era um oásis cultural.

Só pelo seu breve discurso sincopado - Scorsese fala aos tropeções, muito rapidamente -, quando foi ao palco receber o Prémio, valeu a pena assistir à cerimónia até ao fim. O Prémio Cecil B. DeMille aqui aplica-se muitíssimo bem!

Também gostei de ver em palco Robert de Niro e Leonardo di Caprio a apresentar o amigo Scorsese e a entregar-lhe o Prémio. Foi um dos momentos mais autênticos e genuínos, de uma cerimónia muito artificial, e apresentada por um humorista inglês sintonizado com a superficialidade de um certo humor americano. 

 

De resto, gostei do breve discurso do realizador alemão Michael Haneke.

E gostei de ver a elegância de Jessica Lange, a destacar-se claramente das outras mulheres. A diferença não estava apenas no vestido, impecável - havia alguns outros vestidos originais -, mas na pose sóbria e amável.

Também gostei de ver na assistência um George Clooney completamente absorvido na causa do Haiti.

 

Tenho falado aqui de paixão e de energia vital. No meu caso, já devem ter reparado que o meu discurso muda logo quando me dedico ao cinema, aos livros ou a outras vozes que descubro na blogosfera.

Hoje a minha descoberta é esta grande surpresa: a amável Equipa do Sapo destaca as_coisas_essenciais. Obrigada. Esta é já uma grande família de bloggers a criar e a comunicar, a reflectir e a trocar ideias.

Que quem por aqui passe se sinta bem recebido, pois n' as_coisas_essenciais há sempre um lugar para todos os viajantes.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 23:08








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